quinta-feira, 10 de outubro de 2013

“Na correria”, está escutando ou falando muito isso ultimamente?

Festa medieval no castelo de Vianden, Luxemburgo

Você já se pegou dizendo para alguém “estou na correria”, depois de alguém te perguntar “como você está?” ou “Ta sumido! Por onde anda?”.

Às vezes você nem realmente está na correria. Seu amigo pode até perceber aquele seu bronzeado de no mínimo uma semana todos os dias pegando sol por 30 minutos – para não dar aquela queimadinha e sim ficar moreninha (o).

Mas você diz “estou na correria”.
Parece até uma obrigação social. Porque afinal, dizer “estou aí, trabalhando 40 horas por semana e a noite coçando o saco, dançando, fuçando no Face, vendo Dexter, aprendendo chinês, etc. Parece totalmente absurdo dizer que você tem lazer (ps: para mim aprender línguas é lazer).

Mas não aqui no Grão-Ducado (ou Grão-de-bico como meu corretor insiste). Principalmente o fim de semana é merecido! Em geral, as pessoas sentem que fim de semana devem se desligar, passar tempo com a família, amigos, namorado (a), fazer atividades novas, aventuras, ir às festinhas proporcionadas pelo Estado. Festa das nozes, do vinho, da Idade Média, do Santo X, do passarinho, etc. Não importa o quanto de tarefas e trabalho você tem. Isso é para segunda! 

Bertrand Russell, filósofo inglês, não era um fã do trabalho. Em seu ensaio de 1932, " In Praise of Idleness" (Elogio ao Ócio), ele contou que se a sociedade fosse melhor gerida, a pessoa média só precisaria trabalhar quatro horas por dia. Tal pequeno dia de trabalho seria "direito de um homem para as necessidades e confortos elementares da vida." O resto do dia poderia ser dedicado à busca da ciência, pintura e escrita (fonte).  

Eu me lembro, em alguns grupos sociais que eu frequentava, o quanto era difícil reunir as pessoas. O fim de semana era utilizado para trabalhar (bom, pelo menos era isso que eles diziam). A noite era usada para trabalhar! Não para dormir? Dormir era para os fracos, diziam-me. 

O trabalho de alguns, não importa que fosse de trapezista de circo, parecia sempre estressante. Parecia não haver nada de interessante que se pudesse contar do trabalho.

Aposentar então era um problema... “Nossa, se esse aí se aposentar vai ficar doido”. Por quê? Porque não vai mais trabalhar. Olha, eu conheço aposentado que está dando cambalhotas por não ter mais que trabalhar e está aí descobrindo o mundo de mochilão, aprendendo línguas, interagindo com jovens, aprendendo a tocar instrumentos musicais, fazendo trabalho voluntário, fazendo aulas de danças e ganhando concursos estaduais com isso.

Até parece que com essa correria toda, as pessoas estão mais produtivas. Isto é, aquilo que elas fazem durante 80 horas semanais tem mais qualidade e eficiência que se fizessem em 40 ou 20 (para o amigo filósofo e otimista) e usassem o resto do tempo para evoluir, aprender, ou simplesmente sendo bobo e feliz? Parece que trabalhadores mais produtivos e, consequentemente, melhores remunerados ficam menos tempo no escritório. O gráfico abaixo mostra a relação entre a produtividade (Grau de produtividade por hora trabalhada) e as horas de trabalho anuais:


Mesma fonte de antes


Os gregos são um dos povos mais trabalhadores na OCDE (ps: e olha o que seu governo fez com o povo), colocando em mais de 2.000 horas por ano, em média. Alemães, por outro lado, estão mais “folgados” em comparação, trabalhando cerca de 1.400 horas por ano. Mas a produtividade alemã é cerca de 70% maior.

E assim vai a pesquisa... Vale a pena ler...




O ponto é: quando virou tabu coçar o saco? Você sente isso? Que deve ficar ou mostrando que está trabalhando, ou realmente trabalhando até o esgotamento? Você sente que precisa trabalhar até esgotar-se para conseguir sobreviver (comprar comida, pagar aluguel, etc.) ou você não está sabendo gerenciar o seu tempo e dinheiro? 

Isso é outra coisa. Suas atividades de lazer sempre custam caro? Por quê? O que você escolhe para se divertir?

Tem gente que ainda faz isso por regra. Diz que trabalha muito ou até trabalha muito porque de alguma forma se sente útil e “vivo” somente dessa forma... E quando diz, ainda ganha “piedade” e carinho dos outros:
Schueberfouer - festa anual desde 1340



- Tadinho... - e dá um tapinha nas costas.

Mas me parece que alguma coisa tem aí por trás... Por que uma pessoa que trabalha tanto não sente que merece descanso? Por que não consegue passar tempo com os filhos e amigos? Sabe essa pessoa interagir bem com os outros ao ponto de se sentir totalmente feliz de estar junto da família e amigos? 

Meu amigo Gabriel diria:
- Oi, e aí, beleza? – Gabriel.
- Na correria. – Pessoa Y. 
- Por que você joga então Angry Birds e fica me convidando para jogar também?




Se pergunte por quê... E se você realmente não tem opção, tem que trabalhar 80 horas para se sustentar, tente ver o que de bom seu trabalho pode te proporcionar (ou como você pode ganhar mais dinheiro trabalhando menos)...

Lílian

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