sábado, 28 de março de 2015

Carnaval em Esch-sur-Alzette



Balões para todos!

Recém chegada do Brasil, com muitas saudades, eu vi no jornal que estava rolando Carnaval em Esch-sur-Alzette.

Esch é uma cidade do sul de Luxemburgo, a segunda maior cidade de Luxemburgo, só perde para a capital mesmo, tem 32,600 habitantes.

Segunda maior cidade?

Desse tamanhinho? Sério?

Bom, resolvi então, levar minha família para ver como os luxemburgueses celebram o carnaval.



A primeira coisa que observei é que eles celebram com muito mais roupas. Provavelmente, porque é muito frio, já que aqui é só dar um solzinho que o povo fica de camiseta.


Segundo, que como todas as festinhas da região, a comida típica é salsicha.


Terceiro, quem paga principalmente pelo carnaval são os próprios habitantes. Havia umas pessoas vendendo um cupom de 5 euros para ser possível fazer o carnaval ano que vem. Então dificilmente vai ter um carnaval assim aqui em Esch:



Quarto, que os luxemburgueses sabem muito bem fazer batuque!



 Já dançar... Ninguém ganha de nós :)




Quinto (e o mais importante): que o Carnaval consiste basicamente em distribuição de comida, bebida e doces, balões de gás hélio e música típica alemã.




Haviam muitas pessoas vendendo esses balões. Muitas mesmo. Assim como, cheio de crianças brincando com eles, ou bebês tentando descobrir o que eram essas coisas coloridas que voam.


Assim que os carros (ou caminhões) do carnaval entraram no sambódromo (calçadão do Centro de Esch) começou a distribuição de muitas balas e doces para as crianças (e adultos que disfarçadamente se enfiavam no meio das crianças), cerveja (que era bem difícil pegar sem dar uns empurrões ou se meter no meio da passarela).






E comidas não identificáveis:  


Por último, as músicas alemãs. As músicas alemãs todas são principalmente da Deustcher Schlager, que também é tocada no Oktoberfest, em Retro-Parties e Schlagerparties. A Viva Colonia é uma das mais famosas. 

Essas músicas são principalmente “Musik zum Saufen”, isto é “Música para ficar bêbado”.

Eu resumo, eu indico Carnaval em Esch! Distribuição de comida, música culturalmente relevante e pessoal antropologicamente interessante. 


Abraços

Cíntia


domingo, 15 de março de 2015

Benjamin no SUS






O SUS é um sistema de saúde público, gratuito para todos brasileiros, residentes e até mesmo nossos amigos turistas. Foi instituído em 1988, como um direito de todos e dever do Estado cuidar e promover saúde no Brasil.







Apesar da gratuidade e universalidade do SUS não são todos brasileiros que o usam. Alias, muitos políticos não usam. No Brasil além do sistema público de saúde existem vários sistemas privados.



Eu não lembro na minha infância, mas na minha vida adolescente-adulta foram poucas vezes que usei o SUS. Usei principalmente a emergência do Hospital Universitário da Federal de Santa Catarina e uma vez doei sangue lá. No mais, sempre usei sistemas privados de saúde.







Aqui em Luxemburgo temos a CNS, que é a Caixa Nacional de Saúde, ela paga todo o tratamento na área de saúde. Todos os médicos e hospitais são privados ou entidades particulares. Então você vai lá, paga e depois manda para a CNS o recibo e ela reembolsa de 80-90% em média. Em geral, posso dizer que estou satisfeita com o sistema de saúde de Luxemburgo. Não demoro muito para conseguir consultas, ou é no mesmo dia, ou tenho que esperar no máximo 3 semanas. Eu pago na hora a consulta, mando o recibo para a CNS e em poucos dias recebo o reembolso na minha conta bancária pessoal. 

O parto do meu filho foi realizado num ótimo hospital, muito moderno, limpo e com bons profissionais. Tive assistência de uma doula até um mês depois que o Benjamin nasceu. A única coisa que me incomoda um pouco é a demora para o Benjamin ser atendido no Hospital Infantil. Já cheguei a esperar quase 3 horas, mas o atendimento foi bom. Principalmente quando são crianças. Com elas o negócio é levado muito a sério! Não importa se é só chilique de mãe. Qualquer tosse do bebê vai ser levada em consideração. 

Corredor do Hospital Infantil Kannerklinik em Luxemburgo

Kannerklinik, UTI



Link CNS:



Link Maternidade:




Link Hospital Infantil:






Quando fomos viajar ao Brasil, nos informamos que qualquer médico que precisássemos lá poderíamos pagar e depois a CNS nos reembolsaria. Então não paguei nenhum plano privado.



Como o Benjamin é bebê, ele não escapou de ter uma febre aqui e acolá. Um dia que a febre ficou muito alta, resolvemos o levar no hospital mais perto da casa dos meus pais, o Hospital Universitário da UFSC.



No caminho eu já fiquei ansiosa, imaginando a cena de muitas crianças doentes, na fila, tossindo, horas esperando e que seríamos mal atendidos. Bem o contrário! Chegamos lá pelas 7h e não havia ninguém na sala de espera. Pediram para eu abrir uma ficha para o Benjamin no plantão, eu fui lá e entreguei o passaporte dele tremendo pelo medo de ouvir “o sistema não aceita o passaporte alemão”. Eu tenho pavor do sistema... Ele é um pé no saco e aparentemente ninguém sabe quem o fez, porque humanos não conseguem mudar o sistema.



Único sistema que funciona



Pelo contrário, novamente fizeram bem rápido e o Ben foi encaminhado para o plantão infantil.



Lá, uma enfermeira muito simpática puxou papo com nós, pesou o Benjamin, brincou com ele, o Ben jogou seu charme para ela e logo um aluno do doutorado em Medicina nos atendeu. Muito preocupado, examinou o Benjamin todo e depois chamou a médica para ter certeza do seu diagnóstico. Os dois foram muito simpáticos, se apresentaram, nos trataram muito bem e depois de vários exames, alguns que fez o Ben perder seu charme, falaram que provavelmente seria um resfriado mais forte. 





Sem contar que mãe sempre está preocupada com a saúde de seu filho e que já várias vezes fui ao médico e recebi o mesmo diagnóstico que eu e o Dani fizemos, gostei da experiência no HU.



Somente as condições físicas do hospital me deixaram bastante chocada. Pisos e cadeiras quebradas, banheiro sujo, goteiras na sala de exame, paredes rachadas, quase nada de isolamento entre as paredes, em geral muito mal cuidada, antiga e mal construída essa parte do plantão infantil.

Saímos de lá, fomos ao postinho de saúde do Itacorubi, entreguei a receita médica para a pessoa que estava na recepção. Quando ela viu que ele era alemão, começou a falar do sistema, mas mal deu tempo. Um crítico do sistema apareceu, pegou a receita da mão dela e logo me mostrou onde eu poderia pegar a medicação. Ufa! Ainda tem gente que sabe que o sistema é feito por humanos! Viva o Postinho do Itacorubi!







Cheguei em casa, e fui curiosa pesquisar na internet se era uma experiência única ou universal. Em pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e divulgada em 19 de agosto de 2014, 87% dos usuários entrevistados reprovam o SUS. Provavelmente isso muda de estado para estado. Também não sei o quanto o Data Folha é confiável, mas foi a única estatística que achei referente a esse tema (alias, alguém conhece uma melhor?). Link aqui.



Por que seria tão alta a reprovação do SUS (sem ser o óbvio que lemos nos nossos jornais diariamente)? Quais são as consequências a curto e longo prazo de deixar nas mãos do governo os cuidados com a saúde?



Para entender melhor o sistema de saúde socializado, eu escolhi um texto para compartilhar com vocês, que considero o mais explicativos dentre os que encontrei. Foi escrito por Davi Lyra Leite, doutorando em Engenharia Biomédica na Universidade do Sul da Califórnia e formado em Engenharia Elétrica pela Universidade de Brasília. Aqui está o link do texto completo:


E aqui vão as principais considerações de Davi (com algumas modificações minhas, pois o texto é muito longo) sobre os prós e contras do sistema de saúde socializado:

O grande pró deste sistema encontra-se no fato de que as pessoas não precisam desembolsar diretamente o dinheiro para ter acesso ao sistema de saúde, já estando cobertas quando de qualquer necessidade. Então, não precisam economizar ou ter logo muito dinheiro quando precisam fazer um procedimento médico que custa muito caro. Além disso, os ricos e pobres têm acesso aos mesmos tipos de médicos. Teoricamente a seleção para tratamento se baseia em critérios como ordem de chegada ou gravidade da doença.
O financiamento desse sistema pode se dar basicamente de duas formas:

  • Contribuição igualitária individual, em que cada pessoa paga um valor fixo para o Estado por ano, e o governo aloca os recursos conforme achar necessário. Seria algo similar a um plano de saúde estatal.
  • Pagamento através de impostos, sendo mais ou menos progressivos conforme o país. Esses impostos podem estar sobre a renda, o consumo ou a propriedade. Sendo essa a forma de financiamento do SUS.
 
O problema de sonegar impostos é um argumento ético. Um dos
argumentos padrão é, a quem pertence esse dinheiro?

Assim, o clamor de que os ricos pagam pelos pobres não é necessariamente factual, visto que um pobre saudável que não use o sistema de saúde financiará um rico doente. Nesse modelo, os custos são divididos por toda a sociedade e a lógica de transferência de renda é feita dos saudáveis para os doentes.
Recursos são alocados segundo um planejamento estatal, com pouca participação do mercado, seja na definição de preços, seja no fornecimento de serviços concorrentes. Um burocrata define quantos e quais profissionais são necessários para cada grupo de habitantes, e faz as compras de suprimentos conforme modelos econômicos que ache razoáveis. Até existem conselhos comunitários de saúde, mas as decisões são em si estatais. 




Licitações são usadas para definir o preço de um produto — e não a sua qualidade ou real necessidade futura. Muitas vezes, dado o processo lento e não coerente com o mercado, há falta de material cirúrgico-hospitalar, medicamentos e assim por diante. Esse contexto incentiva o crescimento do mercado negro, onde medicamentos são revendidos e pessoas conseguem ter acesso a serviços não ofertados pelo governo.



Como os burocratas não precisam assumir os custos de suas más decisões, visto que muitas vezes permanecem no cargo mesmo depois de várias escolhas erradas, há pouco incentivo interno para melhorias. Além disso, o público paga pelo serviço independe do seu uso e da sua qualidade, o que leva a custos desconexos com a realidade, corrupção, tráfico de influência e cartelização impostas pelo mecanismo de planejamento central. Inovações tecnológicas demoram a ser adotadas e o ambiente não cria incentivos para investimentos privados diretos, visto que há restrição governamental para entrada no mercado.



No longo prazo, o resultado de todo sistema socializado de saúde é o racionamento do atendimento, com longas filas se formando e com tempo de espera significativo. Em muitos casos, as pessoas chegam a morrer esperando pela sua vez, enquanto os mais ricos conseguem fugir do sistema pagando por fora para médicos ou viajando para outros países a fim de conseguir seu atendimento médico .


O desequilíbrio de oferta ou preços dura pouco tempo e em alguns anos a escassez começa devido a contenção de gastos governamentais e a incapacidade da oferta atender a uma demanda sempre crescente, visto que o preço monetário do serviço será artificialmente definido como zero. 


Assim, um país como a Suécia, ou até Luxemburgo, que apresenta uma população pequena, amplamente urbana e muito homogênea, consegue implementar um modelo socializado de medicina, levando anos até que ele comece a apresentar fadiga. Enquanto isso, o SUS brasileiro é problemático desde sua implementação. O mesmo vale quando comparamos os sistemas baseados em seguro obrigatório individual, que funcionam muito bem na Suíça, mas apresentam vários problemas em estados americanos, como Massachusetts. Assim, alegar que algo é muito bom e que vai dar certo se implementado no nosso país porque parece funcionar em outro país não é um caminho razoável.



Se quiserem ler mais sobre o sistema de saúde misto e o de livre-mercado, aqui vai o link.



Enquanto isso, alguns profissionais do SUS tentam de todas as formas dar o melhor de si, apesar de todos problemas que vivenciam... E o Benjamin e seus amiguinhos continuam a ter suas febres inexplicáveis. Para qualquer tipo de sistema de saúde, as febres infantis sem outros sintomas são ainda um mistério a se desvendar. Ainda bem que assim como elas vem, elas vão!

Cíntia

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Na Alemanha, Walmart não entra






Se tem uma coisa que todo mundo precisa fazer é comprar comida. Geralmente fazemos isso em supermercados. Mas no meu caso aqui eu faço em “mercado”, não super.

Desde que morei na Alemanha, em 2010, não consigo mais fazer compras em “super”. Os alemães tem outro conceito de “fazer compras”. Eles preferem comprar o que é importante, ser eficiente, pagar muito barato, mas por bons produtos e principalmente não ficar perdendo tempo no caixa e nos corredores do mercado. 

Ir no mercado também é um jeito eficiente de fazer o Ben dormir, mais ou menos como esse menino aí

Esses dias eu e o Dani inventamos de ir num mercado gigante que tem aqui em Luxemburgo, o Auchan. Nós nos sentimos completamente perdidos. Não sabíamos onde estavam as coisas e quando as encontrávamos tinham tantas opções que ficamos tontos. Conseguimos passar talvez por dois corredores e resolvemos ir embora. 

Por alguma razão ter muitas opções não aumenta meu nível de satisfação, mas sim de frustração. Você acaba pensando se aquela, ou aquela, ou aquela outra seria melhor. No Lidl ou Aldi você tenta as marcas que tem lá, escolhe a que te satisfaz e não precisa mais ficar procurando. Uma vez alguém me falou que ter muitas roupas, muitos sapatos, não aumenta o seu nível de felicidade, é verdade. Você perde mais tempo experimentando roupas, procurando os defeitos de cada uma, e na real, sua aparência não muda tanto assim. O mesmo esquema é nos super.  



O Lidl e o Aldi tem sempre a mesma arquitetura. Quando o alemão entra na loja ele sabe exatamente onde encontrar os produtos que quer, porque eles estão no mesmo lugar que o Lidl de outra cidade. Os dois mercados tem poucos produtos, menos que 1000, e talvez desses 1000, 100 variam ao longo do ano. Talvez rola uma semana francesa, e vai ter variados tipos de baguettes, ou é verão então vai ter produtos de camping, por aí vai. Outra coisa, é que os produtos chegam no mercado em caixas especiais, e os dois funcionários do Lidl só precisam pegar essas caixas e por nas prateleiras, não precisam tirar produto por produto e deixar bonitinho na prateleira. Se vocês quiserem saber mais dos segredos e truques do Lidl e do Aldi, leiam esse artigo: 5 segredos dos mercados de descontos alemães.

Partimos então para nosso tão querido Lidl. Quando não é o Lidl é o Aldi, seu irmãozinho. Lá, sabemos onde estão todos os produtos, tem poucas marcas para escolher, então não precisamos ficar procurando muito tempo pelas coisas. O Benjamin também curte, porque nunca é tão lotado, e as prateleiras são baixas, então conseguimos “enxergar” o mercado inteiro e pronto, compras feitas, fomos para o caixa.




Vou dizer que o fato de eu gostar que os caixas são muito rápidos, também me deixa um pouco estressada. Sempre tem o lado negativo da coisa. Você tem que ser muito rápido no caixa! Tão rápido que a mesa, onde a caixa passa os produtos é praticamente inexistente, ou você pega tudo logo e põe logo na bolsa (no meu caso eu vou jogando tudo no carrinho), ou seus produtos vão cair no chão. É quase que fazer um esporte para mim.

O Dani é tão eficiente na arte de passar pelo caixa do Lidl que quando acaba as compras, às vezes ele acaba pegando as pessoas atrás dele.

Os alemães adoram esses mercadinhos. Os luxemburgueses também. Principalmente porque são muito baratos. Como são tão baratos? É muito mais em conta ter menos produtos, mas bons produtos, num local menor (menos conta de luz, água, etc.) e duas caixas (por isso elas tem que ser tão rápidas). Pagar 10 caixas custa muito caro! Principalmente em Luxemburgo. 

No meu íntimo eu desejo os 10 caixas, mas ainda com produtos baratos

Outra tática, colocar um mercadinho desses em cada esquina. Então você não precisa “viajar” para fazer compras. Sempre tem um Lidl ou Aldi perto de você. Não aqui em Luxemburgo, mas na Alemanha sim.

Sim, você não vai ganhar saquinhos plásticos, tem que levar suas sacolas ou mochilas

“Supermercados”, no estilo americano, não funcionam na Alemanha. O Walmart, por exemplo, bem que tentou. Mas não teve sucesso.

A melhor descrição do que aconteceu com o Walmart na Alemanha para mim, foi do autor do livro It's Never Been Easy: Essays on Modern Labor, David Macaray. Aqui vai um resumo, de sua interpretação sobre o insucesso do Walmart na Alemanha, um dos raros países em que uma big company americana falhou. Definitivamente o american way of life não pega na Alemanha. 



Walmart pode gabar-se de que tem mais de 8.500 lojas em 15 países e de ser o maior empregador privado nos Estados Unidos. Na verdade, para o autor David Macaray, é o maior empregador privado do mundo todo. Tem 108 lojas na China sozinha, e opera mais 100 pontos de venda chineses sob o nome de Trust-Mart. No Brasil, a rede possui ao todo, incluindo todas as bandeiras, ou seja; Walmart Supercenter, Hipermercados BIG, Hiper Bompreço, Supermercado Bompreço, Mercadorama, Nacional, Maxxi Atacado, TodoDia, e Sam's Club; mais de 454 lojas espalhadas pelo país.

Walmart espalhado pelo mundo, os países em vermelho são onde a empresa falhou
Ainda assim, com todo o sucesso conspícuo do Walmart, a gigante do varejo, depois de ter se estabelecido na Alemanha em 1997, foi forçada a se retirar do país, em 2006, abandonando o lucrativo mercado de 370 bilhão de dólares da Alemanha. Mesmo que isso aconteceu há cinco anos, o desastre alemão ainda está sendo discutido. Afinal, Walmart raramente falha.

Porque a América e Europa partilham antecedentes culturais e políticos semelhantes, pode-se naturalmente supor que uma empresa americana teria uma melhor chance de sucesso na Europa do que na Ásia. Mas o nocaute alemão provou que nem sempre é o caso. De fato, enquanto o regime comunista da República Popular da China abraçou a filosofia corporativa do Walmart, os alemães a rejeitaram.



Embora ninguém possa dizer exatamente porque a empresa falhou, não houve falta de explicações. Uma delas é que a Alemanha é muito "verde" para um equipamento de “corte-e-queima”, como o Walmart, com seus sacos de plástico e todo o “plastic junk”. Outra é que Walmart não vingou numa cultura pró-trabalhista como da Alemanha. Outra ainda, é que a Alemanha é anti-americana quando se trata de varejistas de marca (apesar de Dunkin 'Donuts e Starbucks serem populares lá). Outra é que os consumidores alemães preferem pequenas lojas de bairro, em vez de uma “cadeia impessoal” (mesmo que o Aldi e Lidl, que são mercados de desconto, tem muito sucesso na Alemanha).

Lidl na veia

Embora provavelmente há alguma validade para todas estas explicações, três idiossincrasias transculturais adicionais foram identificados como fatores determinantes.

Uma questão foi o cantar. Funcionários do Walmart, para iniciar os seus turnos são obrigados a engajarem-se em cânticos de grupo e exercícios de alongamento. Essa prática destina-se a construir a moral e lealdade do grupo. Diabólico que pareça, os funcionários do Walmart são obrigados a ficar em formação e cantando: “WALMART! WALMART! WALMART!" durante a execução de seus exercícios de relaxamento.

Infelizmente, esta forma de ufanismo corporativa não agrada particularmente os alemães. Talvez eles achem constrangedor ou bobo; talvez eles achem muito regrado. Ou talvez eles achem esse exercício estranhamente agressivo e estúpido. 



Outra questão foi a do sorrir. Walmart exige que seus caixas pisquem e sorriam para os clientes depois de empacotar suas compras. Sacos de plástico, sucata de plástico, sorrisos de plástico. Mas porque o povo alemão não costuma sorrir para estranhos, o espetáculo de funcionários do Walmart sorrindo como idiotas não só não impressionou os consumidores, mas também os deixaram nervosos.

Alemã tentando sorrir no Walmart


O terceiro foi a "problema da ética." Em 1997, o Walmart não só tinha como necessidade colocar empregados para espionar colegas de trabalho (e relatar qualquer má conduta), mas também era proibida intimidade sexual entre seus funcionários. Aparentemente, enquanto as pessoas que executam a empresa com sede em Bentonville, Arkansas, não tinham nenhum problema em foder com o ambiente, eles não poderiam fazer o mesmo entre si (alias, um tribunal alemão derrubou o "código de ética" do Walmart em 2005).

Quaisquer que sejam as razões específicas, o mercado alemão é agora verboten (proibido) para o Walmart. Claramente, o experimento fracassado foi um duro golpe para o orgulho da empresa. E enquanto ninguém pode prever onde uma empresa tão agressiva vai abrir suas portas, presumivelmente, eles vão pegar a folga, e vão abrir uma loja na Líbia. Porque talvez até os americanos estão questionando o Walmart. Olha o que essa cidade americana fez com um Walmart abandonado: 

 
Leia o artigo sobre o que essa cidade fez com o Walmart abandonado: http://growfood-notlawns.com/city-abandoned-walmart-absolutely-brilliant-youll-love/

Bom, enquanto o Walmart enriquece em outros países, vou colocar minha roupa de esporte e partir para o Lidl!
 
Cíntia

Link do artigo original: 
http://www.huffingtonpost.com/david-macaray/why-did-walmart-leave-ger_b_940542.html